Saturday, April 25, 2009

25 de abril



Esta é uma das imagens que guardo do 25 de Abril. Não do de 74, mas do seguinte, em que se realizaram as primeiras eleições livres em Portugal. Os meus pais foram votar e fizeram desse dia uma festa. Fomos todos a pé, e, pelo caminho, a minha mãe apanhou um braçado de flores do campo. Há, numa caixa em casa dos meus pais, muitas fotografias desse dia. Já nessa altura, soubemos que esse seria um dia importante.
Importante demais, para que se transforme só numa memória...

Thursday, April 23, 2009

i let love in

morre lentamente

Morre lentamente quem não viaja
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente,
Quem destrói seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente,
Quem se transforma em escravo do hábito,
Repetindo todos os dias os mesmos trajectos,
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor,
Ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente,
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções,
Justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
E os corações aos tropeços.

Morre lentamente,
Quem não vira a mesa quando está infeliz,
Com o seu trabalho, ou amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto,
Para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Pelo menos uma vez na vida,
Fugir dos conselhos sensatos…

Pablo Neruda

Thursday, April 16, 2009

Monday, April 13, 2009

negócios com lobos


Imagem da "net"



Esta história custa a contar, mas há histórias assim, tristes, que servem de lição e aviso, para que não voltem a repetir-se os aconteceres que elas relatam. Nem pouco mais ou menos.
Quem me confiou a fábula que vão ouvir foi um pastor.
Soubera-a do avô, que também tinha sido pastor, que a ouvira do avô e ele, por sua vez, do avô dele, numa correnteza de netos e avós que mergulhava no princípio dos tempos. Tão antes de tudo a história se passara, que vinha do tempo em que os animais falavam ou, dito de outro modo, em que os homens e os bichos na mesma língua se entendiam.
Nesse tempo, os animais também contavam histórias aos homens. Esta, no princípio, foi contada por uma ovelha ao primeiro de todos os pastores.
E chega de prólogos. Vamos ao que interessa.
As ovelhas e os lobos, que andavam em guerra, resolveram fazer uma trégua na luta. Foram os lobos que a propuseram. Reuniram-se as duas partes em negociações e, ainda por sugestão dos lobos, decidiram trocar reféns. Para que a trégua durasse até culminar numa paz duradoira, os lobos entregavam à guarda das ovelhas os seus lobinhos e exigiam, em troca, os filhos das ovelhas . Explicavam eles: – Não lhes faremos mal nenhum, porque se o fizéssemos e regressássemos à guerra, vocês vingavam-se nos nossos lobinhos. Só assim se poderá garantir, para sempre, a paz entre nós.
As ovelhas concordaram. Custava-lhes a separação dos seus cordeirinhos, mas admitiram que não custaria menos aos lobos o apartarem-se dos filhos. Igual por igual.
Foram os lobos pequenos viver para o meio do rebanho das ovelhas. Eram tratados com toda as atenções.
Identicamente, os cordeiros, no covil dos lobos, recebiam alimento em abundância, com que encorpavam e cresciam.
Quando, gordos que estavam, os cordeiros se transformaram em belos carneiros e formosas ovelhas, os lobos saltaram sobre eles e comeram-nos.
Pela mesma altura, os lobinhos, que já estavam lobos crescidos, fizeram igual razia, no rebanho das ovelhas.
História terrível, como eu tinha avisado. Mas a partir dela nunca mais nenhuma ovelha nem nenhum bicho pacífico quis ter negócios com lobos. Para que se saiba.


António Torrado

Wednesday, April 8, 2009

cores


Vila Praia de Âncora

Thursday, April 2, 2009

arte e tabela periódica

já há algum tempo encontrei este exemplo bonito da junção da arte com a ciência. 97 artistas plásticos, com estilos e técnicas muito diferentes, fizeram 118 ilustrações.



esta imagem é só uma amostra do resultado, que pode ser visto na totalidade em http://azuregrackle.com/periodictable/table/. e vale a pena explorar, com tempo...