Sunday, August 31, 2008

mentira




"Levanto-me e caminho até ao limite do terraço. É noite de Lua cheia. Só consigo ver o parapeito. Não preciso de mais. Poderia descrever até ao último pormenor desta vista com os olhos fechados. Há um pinheiro à minha frente, apenas três metros para lá do parapeito. Tem mais de cem anos, quem sabe se duzentos. Cresceu quase horizontal, debruçado sobre a vertigem da arriba, como se o mar o enfeitiçasse às lambidelas. Em crianças, trepávamos lá de baixo, da banheira da russa, agarrando-nos às raízes grossas e robustas deste mesmo pinheiro, que tecem uma nervura na crosta da terra. Parecia-me incrível que a raíz de uma árvore fosse tão profunda, muito mais comprida que o tronco. Como a das mentiras. Isso não o pensava então: digo-o agora."

Henrique de Hériz, em "Mentira"

Há muito tempo que não lia um livro de que gostasse tanto!

a flor

Fim de férias...

Thursday, August 14, 2008

Thursday, August 7, 2008

piódão




Piódão, Estalagem do Inatel

Agora a paz... não fazer nada, não pensar em nada... sentir. Só sentir.





Monday, August 4, 2008

daydreamer

Adele, Daydreamer

Sunday, August 3, 2008

de volta

Barcelona é uma cidade viva. Que respira. Ri-se. Mexe-se. Canta e fala e dança e corre e grita e...
Alegria!










Thursday, July 24, 2008

até já...

Deixo uma música de Verão.
Para os que têm corações grandes,
para os que têm olhares muito doces,
para os que dão abraços apertados,
para os que passam o tempo a filosofar,
para os que choram, os que riem e os que misturam lágrimas e gargalhadas,
para os que aquecem,
para os que se admiram,
e os que gritam,
e os que falam e os que se calam,
para os que andam a pé,
e os que aceleram no carro,
para os madrugadores
e para os que gostam de ficar toda a manhã no calor da cama,
para os que vão à praia
e para os que passam as tardes no sofá,
para os que têm saudades, os que sonham e os que se emocionam...
Para os que fazem muito mais do que o Sol...
até já!


Tuesday, July 22, 2008

memória (2)

E quem não sonhava fazer parte deste grupo? E subir à noite, às escondidas, às torres do castelo?
Eu sonhava...


memória

Enquanto me preparo, faço viagens pela memória. E dou uns saltos ao youtube, onde é possível encontrar vídeos que pensei que nunca mais veria.
Vale a pena. Porque devolve sorrisos da infância. (Pelo menos aos quarentões...)


vou




a Barcelona!
E depois volto. Espero voltar mais cheia, mais viva, mais feliz, mais eu!

Friday, July 18, 2008

exemplo

Recebi ontem dois mails com o mesmo filme. Um da Maria e outro da Beatriz, que foram minhas alunas e são dois corações gigantes. Aqui fica o filme. Para partilhar...


injustiça...


Sunday, July 13, 2008

verão

É publicidade. À melhor cerveja do mundo!
Mas está aqui porque a música é bonita e as imagens têm o cheiro do Verão.
Brandi Carlile, The Story. O filme é o anúncio da SuperBock, versão integral, antes dos cortes para cinema e televisão.





Falta a esplanada com olhos para o mar...

amor



Fernando Botero, Couple

"Esta é a história de uma mulher e de um homem que se amaram plenamente, salvando-se assim de uma existência vulgar. Guardei-a na memória de forma a que o tempo a não desgastasse e é só agora, nas noites silenciosas deste lugar, que finalmente posso contá-la. Fá-lo-ei por eles e por outros que me confiaram as suas vidas, dizendo: toma, escreve, para que o tempo não a apague."





Isabel Allende, em "De amor e de sombra"

Sunday, July 6, 2008

estilhaços


E quando uma parte de nós fica estilhaçada?
Haverá alguma forma de colar tantos pedaços?

Tuesday, June 24, 2008

pois...

«Para a maioria dos membros de uma organização,
o mais simples é não pensar,
não criticar abertamente,
não tomar nenhuma iniciativa,
não propor nada
e fingir que se adere ao discurso oficial,
muito simplesmente para viver em paz,
conservar o seu emprego
e manter boas relações com os colegas.
O que importa, então,
é ter o menos possível de aborrecimentos
e investir o mínimo de energia no trabalho,
para a poder empregar noutros sectores da existência.
De facto, só um actor social suicida
poderia estabelecer como linha de conduta
a procura constante de compreender
e dizer como se passam as coisas,
perseguir encarniçadamente as incoerências.


Philippe Perrenoud (1992), A organização, a eficácia e a mudança, realidades construídas pelos actores.

mercy

Ontem, quando cheguei à escola, estava a ouvir no rádio uma música engraçada. Duffy, com Mercy. Não consegui acabar de a ouvir, porque estava a ser chamada pela obrigação de vigiar uma prova de exame de Matemática, longa, muito longa, demasiado longa...
Matemáticas à parte, já à tarde, ao sair da escola, liguei o carro e ouvi... a mesma música. É gira. Muito gira. Dispõe bem. E precisamos todos de alguma coisa que disponha bem...
Cá vai. Para animar!

Wednesday, June 18, 2008

cada lugar teu



Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num dsfgds gsó

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Mafalda Veiga

Sunday, June 15, 2008

a menina que queria voar





Um dia, uma menina disse assim:
- Quero voar.
E um a migo dela, com quem ela estava a brincar respondeu-lhe:
- Voar é para os pássaros.
E disse a menina
- Eu tenho a certeza de que era capaz. Se treinasse muito, tenho a certeza de que era capaz.
E respondeu-lhe o amigo:
- Capaz eras, mas tinhas de treinar para aí, para aí uns trezentos anos.
- Trezentos anos? Ora bolas, daqui a trezentos anos já estou muito velha para voar. Sei lá onde estou daqui a trezentos anos! Eu queria voar era já.
- Sem te treinares?
- E os aviões, treinam-se? Não se treinam… Mal estão acabados de fazer começam logo a voar.
- Ah, mas os aviões são conduzidos por um piloto. E o piloto treina-se.
- Isso é verdade. Mas os pássaros, por exemplo, não se treinam e sabem voar.
- Ai isso é que se treinam, vão para o campo treinar-se. É por isso que se diz “um campo de treinos”. Os pássaros começam com o salto em altura, depois treinam o salto em comprimento, depois o salto em largura, depois o salto à vara, e a seguir vai-se tirando a vara aos bocadinhos, sem eles repararem e pronto, a certa altura já sabem voar, os pássaros. Bom, nota que com as pessoas é muito mais complicado do que com os pássaros. Para já não temos asas.
- Não temos asas mas temos braços!
- Então experimenta dar aos braços.
- Já estou a dar aos braços.
- Estás a voar?
- Não.
- Então já vês que é difícil voar.
- Ah, mas posso pôr umas asas postiças. Da próxima vez que for comer frango, não como as asas e ponho-as nos braços. Depois, dou às asas e voo.
- Não voas nada, porque os frangos não conseguem quase voar.
- Ai não? Então o que fazem?
- Sei lá o que fazem; o que é que tu achas que os frangos fazem?
- Não sei, sei lá. Andam para ali sem fazer nada.
- Pois é, os frangos não voam.
- Pois é. Realmente se eu quiser voar, o melhor é eu apanhar um avião. Dá menos trabalho.
- Pois dá. Eu ando a juntar um escudo por semana para dar a volta ao mundo de avião.
- Um escudo por semana? Por esse andar nem daqui a trezentos anos tens dinheiro que chegue para isso.
- Tenho, tenho. Daqui a trezentos anos tenho…

Sérgio Godinho, em "A Caixa". Ilustrações de Joana Quental

espera


Fotografia de Telmo Freitas


Podia sentar-me, a esperar-te...